terça-feira, 22 de setembro de 2020

BOLSONARO E A ONU

BOLSONARO E A ONU
Hélio Schwartsman

Governo atual é prova de que mundo acertou ao não conceder vaga no CS ao Brasil

O governo de Jair Bolsonaro e seus posicionamentos na arena internacional são a prova definitiva de que o mundo acertou ao não conceder ao Brasil um lugar como membro permanente do Conselho de Segurança (CS) da ONU, organização que completa 75 anos de existência.

Não que tenha havido uma chance clara de galgarmos tal condição. As discussões sobre reforma da ONU dificilmente passarão de discussões. Mas, durante muito tempo, em especial nos governos petistas, conquistar uma vaga permanente foi meta quase obsessiva do Itamaraty, o que, aliás, nos levou a posicionamentos moralmente discutíveis, incluindo a defesa de ditaduras de olho em seus votos.

Os despautérios sobre queimadas e pandemia que Bolsonaro deve proferir hoje em seu discurso de abertura da Assembleia Geral ficam mais ou menos limitados a nos expor ao ridículo, porque não passamos de um membro ordinário da organização Mas, se tivéssemos um papel de maior relevo, aí as inconstâncias e insensatezes de governos brasileiros teriam um impacto negativo mais concreto sobre o mundo. Uma das funções do CS é promover a moderação e limitar a capacidade das grandes potências de fazer o que bem entenderem.

O problema de fundo, que nos inabilita para uma vaga permanente no CS, é que nossa institucionalidade não evoluiu o bastante para diferenciar na prática os interesses estratégicos do Estado brasileiro dos objetivos propagandísticos de governos, que são por definição transitórios.

Pessoalmente, vou até um pouco mais longe e acho que o Brasil deveria abdicar permanentemente de alcançar uma vaga permanente no CS. Ela serviria para inflar o ego de presidentes, ministros e diplomatas, mas não vejo que benefícios traria ao cidadão. Pelo contrário, implicaria mais despesas para os cofres públicos e nos levaria a fazer alguns inimigos no cenário internacional. Não há nada errado em ser uma nação "low profile".

Fonte: Folha de S. Paulo

PARLAMENTO FEMININO

PARLAMENTO FEMININO
José Horta Manzano

Com 77 mulheres eleitas nas eleições parlamentares de 2018, a bancada feminina na Câmara Federal subiu para 14,6%, um número curiosamente baixo. Digo curiosamente porque a discriminação contra mulheres não é traço marcante da personalidade brasileira. Em outras terras, a intolerância é sabidamente mais acentuada do que entre nós.

Como referência, tomemos o comportamento dos votantes na escolha de candidatos para cargos do Executivo, os mais vistosos. Observe-se que o eleitorado brasileiro dá seu voto, sem maiores complexos, a uma mulher. Basta conferir algumas prefeitas e governadoras eleitas no passado.

A maior cidade do país já foi comandada por mulher em duas ocasiões: por Luiza Erundina, nos anos 1990, e por Marta Suplicy, nos 2000. O estado do Rio já elegeu Rosinha Garotinho. Fortaleza já teve Maria Luiza Fontenele e Luizianne Lins como prefeitas. O Rio Grande já deu a vitória a Yeda Crusius. E o Brasil inteiro – embora pareça hoje difícil acreditar – já consagrou Dilma Rousseff.

Há que constatar que o brasileiro é desembaraçado na hora de votar. Não me parece que deixe de votar em mulher só por causa do sexo da candidata. O fato de, apesar das quotas, a representação feminina ser tão baixa no Congresso ainda está por ser estudada.

Outros países têm desempenho melhor que o nosso. Fiz uma pequena pesquisa e descobri algumas curiosidades.

Os países que ocupam o topo da classificação são aqueles em que a eleição de parlamentares é artificialmente dirigida, não somente por sistema de quotas, mas também porque certo número de parlamentares é designado, sem voto popular, pelo Executivo (ou pelo rei, emir, príncipe ou ‘dono’ do país). É nesta categoria que se encontram os que têm parlamento com maioria feminina: Ruanda (61,3% de mulheres) , Cuba (53,2%), Bolívia (53,1%), Emiratos Árabes (50%).

Descendo na classificação, aparece a Suécia, país fortemente igualitário, em 7° lugar, com 47% de mulheres. A Espanha e a Suíça estão entre os bons alunos, com 44% e 41,5% respectivamente.

Quanto a nossos vizinhos mais chegados, a Argentina faz bonito: 40,9% de mulheres no parlamento. Já o Uruguai não sai tão bem na foto: 21,2%. O Paraguai, apresenta placar bem magrinho: 16,3%.

O parlamento americano está mais feminizado que o nosso: 23,4% dos mandatos foram entregues a representantes do sexo feminino. A Itália apresenta um quadro ainda melhor, com 35,7% de mulheres na atual legislatura.

O Parlamento Europeu, renovado em 2019, não é o nec plus ultra, mas está no bom caminho: 36,4% de mulheres.

Classificado em 142° lugar na lista mundial com marca supermodesta de 14,6%, o Brasil aparece mal. Como vê o distinto leitor, nessa matéria, ainda estamos engatinhando.

Quem tiver curiosidade pode consultar a lista completa atualizada mensalmente pela União Interparlamentar, agência da ONU, com sede em Genebra, à qual o Brasil está afiliado desde 1954.

Fonte: brasildelonge.com

SÍNDROME DE ROLLEAUX

SÍNDROME DE ROLLEAUX
Ruy Castro

Em 2120 haverá alguém para se lembrar de um astro das atuais séries bilionárias?

Nada é muito novo, não? Amigos me ligam empolgados para falar de séries a que estão assistindo na HBO, Netflix ou Amazon. Garantem-me que elas, as séries, já não são apenas uma alternativa aos longas normais, mas a melhor coisa que o cinema está produzindo em nosso tempo. Ignorante no assunto, nem pio. Só acho engraçado que, em 2020, se tenha voltado a 1920, quando as séries —chamadas então seriados— também eram o formato dominante no cinema. E, para me inteirar melhor, fui às enciclopédias.

Uma série daquele tempo tinha 22 episódios, que, à razão de um por semana, mantinham as plateias eletrizadas por quase seis meses. Era, como se sabe, o tempo do filme mudo, da tela quadrada e das viragens coloridas. A ação não parava. O herói (ou heroína, se ela fosse a estrela Pearl White) era obrigado a rolar de penhascos, saltar precipícios e lutar com o bandido sobre um trem em movimento. Muitas dessas sequências usavam os próprios atores, não dublês.

Um desses atores era Eddie Polo. Na vida real, ele fora o primeiro a fazer um "loop-the-loop" numa moto e a saltar de paraquedas da Torre Eiffel. Entrou para o cinema na série "A Moeda Quebrada", em 1915, vivendo um vilão chamado Rolleaux, e, embora fosse coadjuvante, roubou o filme e se consagrou. Meu pai foi um dos milhões de meninos no mundo que, há cem anos, vibraram com Rolleaux, e só por isso a fama de Polo chegou a mim —porque, das 50 séries que ele rodou até 1927, todas blockbusters, nenhuma, nem "A Moeda Quebrada", sobreviveu.

No leilão de raridades do arquivo da Cinédia, realizado há pouco por Soraia Cals aqui no Rio, havia uma foto autografada de Eddie Polo. O lance inicial era de R$ 400. Ninguém se interessou. Quem sabe hoje quem foi Eddie Polo?

Quanto valerá daqui a cem anos a imagem de um astro das atuais séries bilionárias? E haverá alguém para se lembrar e escrever sobre ele?

Fonte: Folha de S. Paulo
A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo. (Napoleão Bonaparte)

ROMANCE FORENSE

TAQUIGRAFIA ÀS AVESSAS
Por Rafael Berthold,
advogado (OAB-RS nº 62.120)

Quando chegou ao trabalho, a chefe do Departamento de Taquigrafia e Estenotipia do Foro Central encontrou o seu setor em polvorosa. Tudo por causa de uns advogados que fizeram questão de registrar em ata suas considerações sobre o Judiciário.

– O que está acontecendo aqui? – indagou a chefe.

A taquígrafa que realizou a degravação se apressou em responder:

– Foi um dos trabalhos mais difíceis que já realizei. Foi uma confusão: vários advogados do mesmo escritório falando ao mesmo tempo, um se atravessando no discurso do outro, todos querendo expressar os seus sentimentos e opiniões. Não dava nem pra identificar quem disse o que. Tive que voltar e avançar a fita várias vezes até conseguir registrar tudo o que foi dito. Mas o pior não é nem isso. Relendo a degravação, percebi que os tais advogados só queriam mesmo era ofender a nossa classe, dos serventuários da justiça.

– Deixe-me ver a degravação.

A chefe retira o papel das mãos da servidora e, após alguns instantes de leitura, devolve-o com a seguinte indagação:

– Você tem certeza de que não fez confusão ao ficar avançando e retornando a fita?

– Acho que não fiz confusão nenhuma. Afinal, o texto ficou bem claro, não ficou?

– Pois então releia o documento, em voz alta.

(Segue, na íntegra, o texto da degravação:)

– Bom dia!

– Chegando no cartório, o que recebemos foi um belo de um [...]

– Atendente preguiçoso e apático.

– Não vislumbramos nem sequer um [...]

– Sorriso no rosto dos servidores.

– Tudo o que desejamos é ver, nas varas cíveis, [...]

– Menos desorganização e mais eficiência.

– O que temos testemunhado, ultimamente, é [...]

– A resistência dos magistrados em receber os advogados em seus gabinetes.

É flagrante como diminuiu [...]

– O coleguismo entre servidores e advogados.

– Devemos perseguir, isto, sim, [...]

– A implantação de metas rigorosas para os funcionários do Judiciário.

– Se assim fosse, algo que ficaria em segundo plano seria [...]

– A relação mais direta e informal entre os operadores do Direito.

– Nós, advogados, temos por objetivo [...]

Fazer o nosso trabalho e nada mais.

Não pensem que estamos aqui para [...]

Auxiliá-los na árdua tarefa de administrar a prestação jurisdicional.

Nossa obrigação é nos fazer disponíveis [...]

Às nossas famílias e clientes.

Se precisarmos, daremos as costas [...]

Às reivindicações do Judiciário.

Estamos determinados a atender [...]

Apenas aos nossos próprios interesses.

Os senhores não nos verão mais dar atenção [...]

A todos os servidores!

E assim que a taquígrafa concluiu a leitura, a chefe lhe fez um estranho pedido:

Agora, releia tudo de novo só que do fim para o início, e diga-me se você realmente não fez confusão...

Fonte: www.espacovital.com.br

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

DE POSTO IPIRANGA A MANJUBINHA

DE POSTO IPIRANGA A MANJUBINHA
Hélio Schwartsman

Economistas nem sempre estudam filosofia como deveriam

Paulo Guedes passou da condição de ministro que resolveria tudo na economia para a de petisco frito por imersão ("deep fried"). Até aí, não é tão surpreendente. Esse é um destino relativamente comum para ministros, sob governos de todas as ideologias.

Mais difícil de entender é como alguém que se proclama liberal tenha se envolvido com um dirigente autoritário como Jair Bolsonaro. Guedes se gaba de ter lido Keynes "três vezes e no original", mas me pergunto se leu Hayek, autor que, para ele, na condição de egresso da Escola de Chicago, deveria ter maior precedência.

E Hayek, melhor do que qualquer outro liberal moderno, compreendeu que não é possível desmembrar a economia das outras dimensões da vida. "Fins puramente econômicos não podem ser separados dos outros fins da vida", escreveu em "O Caminho da Servidão". Isso ocorre porque a economia é, no fundo, uma forma de ordenar nossas prioridades, algo que depende do valor que atribuímos individual e coletivamente às diferentes atividades e às coisas.

A crítica de Hayek ao socialismo é que este, ao contrário do livre mercado, exige a instalação de um planejador central para a economia, o que necessariamente diminui nossa liberdade existencial. E ampliar a liberdade existencial é, não só para Hayek como para Marx (não confundam o autor com o que fizeram em seu nome), o objetivo último.

Daí decorre que não faz sentido, para um liberal (o caso do marxista é um pouco diferente), trabalhar com um governante com tendências liberticidas. Guedes, reconheça-se, não foi o único a cair na armadilha. Milton Friedman e vários de seus associados flertaram com Pinochet, para recordar um único caso.

O problema, arrisco diagnosticar, é que economistas nem sempre estudam filosofia como deveriam, o que os faz perder a visão do todo. Desse pecado, Hayek, educado na Viena dos anos 20, não sofria. Já o Manjubinha...

Fonte: Folha de S. Paulo
Até paranóicos têm inimigos de verdade. (Paulo Francis)

LUGARES

Túmulos dos Scaligeri

Os Túmulos Scaligeri formam um grupo de cinco monumentos góticos funerários em Verona, Itália.  

Ao lado da entrada da minúscula igreja românica de Santa Maria Antica, que foi a igreja paroquial da poderosa família Scaligeri, há uma série de bizarros túmulos dos antigos governantes de Verona.

Na entrada da igreja, está o imponente túmulo de Cangrande I (morto em 1329), encimado por uma estátua eqüestre do governante, uma da cópia original que está em Castelvecchio).

Os túmulos dos Scaligeri estão ao lado da igreja, atrás de uma grade de ferro batido, onde se pode ver um emblema com uma esclada. É o emblema do nome original da família, della scala, que significa "dos degraus".

Aqui estão os túmulos de Mastino II (morto em 1351) e de Cansignorio (morto em 1575), ambos decorados com minúsculas agulhas góticas. Outros túmulos da família, mais simples, estão próximos ao muro da igreja.

NEM SOBRECARREGAR, NEM OMITIR

Fabrício Carpinejar

Quem fala tudo o que pensa na relação ou é cruel ou é preguiçoso. 

É necessário editar as lembranças, excluindo antigos afetos e mantendo as informações relevantes de contexto e aprendizado. Basta recortar as pessoas das fotografias. Se conheceu Paris, apresente o que conheceu da cidade, jamais com quem esteve e o quanto aproveitou romanticamente. Assim a França não sairá do mapa do atual namoro e não provocará ciúme, despeito e frágil concorrência de memórias.
Tampouco pode ligar o modo terapia dentro de casa. Cama não é divã. Aquilo que conta ao psicanalista é higiene, são pressentimentos e hipóteses, reclamações e medos, não significam fatos. Não repita o consultório como se isso representasse transparência. Consulta é individual, não tem como repassar a sabedoria indiretamente. Comunique os seus objetivos em vez de expor o processo e o rascunho. Arquivos temporários costumam desaparecer do computador. 

Segredos e confidências de amigos, que não influenciam o destino do casal, também não devem ser partilhados. Amizade é amizade, e nem sempre o namorado ou a namorada tem intimidade para compreender a importância do silêncio e respeitar a confidência alheia. As fofocas surgem da simbiose do par. O amigo lhe confia algo que você confia a esposa/marido que confia aos seus respectivos amigos e todos dançarão a quadrilha de Drummond. 

Assim como não é saudável contar tudo, é fundamental não omitir o que define o curso de seus pensamentos e decisões. Se está diferente por algum motivo, há a clara urgência de dividir. 

Esconder preocupações traz desconfiança, já que o outro se sentirá automaticamente culpado pela sua tristeza - não custa se abrir e aceitar conselhos, mesmo que não sirvam para a ocasião. 

Sofrer sozinho é soberba. Pergunte o que a sua companhia faria em seu lugar. Estabeleça empatia. Exerça a curiosidade. 

Tenha cuidado igualmente para não asfixiar o ambiente amoroso com assuntos de trabalho. Lar não é filial do escritório. Selecione acontecimentos para ilustrar as tarefas que vem executando, não repasse a íntegra maçante do universo profissional. Relatórios soam enfadonhos, assim como não vale a pena reproduzir as picuinhas da hora do cafezinho da empresa.

Cultive o idioma do casal com brincadeiras, apelidos, indiretas e observações e mantenha a cumplicidade independente dos demais grupos de convivência. Repercuta os programas feitos a dois, acrescente o que realizou durante o dia, adicione o tempero da risada, olhe nos olhos, beije sem moderação e o ímã do equilíbrio protegerá os laços. 

Amor é medida. Não sobrecarregar o relacionamento, nem jamais esvaziá-lo.

Fonte: Facebook

FRASES ILUSTRADAS


domingo, 20 de setembro de 2020

MERITOCRACIA

MERITOCRACIA
José Horta Manzano

O Houaiss contém o verbete meritocracia e data seu aparecimento de 1958. Nestes tempos de fake news circulando rápido, não se verifica mais origem e autenticidade da informação. Este blogueiro, que guardou hábitos antigos, costuma verificar. Até o venerando Houaiss, que é considerado o nec plus ultra dos dicionários de nossa língua, tem de passar pelo filtro. Checar é prática útil: pode diminuir a velocidade do trabalho, mas é blindagem contra notícias falsas.

Fui procurar, na hemeroteca(*) da Biblioteca Nacional, se não havia mesmo registro da palavra meritocracia anterior a 1958. Havia. O substantivo é mencionado no Jornal do Brasil (RJ) em 1934, no Diário de Notícias (RJ) em 1931, n’O Jornal (RJ) em 1929 e no Jornal do Commercio (RJ) em 1928. O pesquisador do Houaiss havia de estar apressado.

(*) Hemeroteca

É palavra que entrou na língua por via culta. É formada pelas raízes gregas heméra (=dia ) + teca (=lugar onde se guarda). Indica o lugar onde se conservam as coleções de jornais.

Hemer(o) entra na composição de numerosos termos técnicos e científicos como hemeropatia (doença que dura apenas um dia), hemerobatista(membro de uma seita cristã que reiterava o batismo todos os dias), hemeróbio (inseto cuja curta existência não ultrapassa um dia).

Teca é velho conhecido nosso. Aparece em termos que indicam o lugar onde se guarda uma coleção qualquer: biblioteca (livros), filmoteca(filmes), discoteca (discos), datilioteca (anéis), mapoteca (mapas), e por aí vai.

A Biblioteca Nacional mantém uma preciosa hemeroteca, com a versão digitalizada de praticamente todos os jornais publicados no Brasil, desde o primeirão, de 1808. Ainda não estão lá aqueles que seguem sendo publicados.

Pra finalizar

Embora o som de hemeroteca e de meritocracia guarde certa semelhança, as duas raízes não se conhecem nem de elevador. A primeira vem do grego, enquanto a segunda vem do latim. 

Fonte: https://brasildelonge.com

SOM DO SILÊNCIO

SIMON & GARFUNKEL

Dou valor as coisas, não por aquilo que valem, mas por aquilo que significam. (Gabriel Garcia Marques)

LUGARES

INTERIOR DA ALEMANHA

CRAVO VERSUS CIGARRO


CRAVO VERSUS CIGARRO

Até os trinta e poucos anos de idade fui um fumante inveterado. Também o era, um sócio do escritório de advocacia. 

Quando parei de fumar e senti os benefícios da abstinência, passei a incentivar aquele sócio a seguir os meus passos. 

Para ele o que ajudou de forma decisiva para abandonar o vício do cigarro foi o uso do cravo. 

Não sei se alguém o orientou para tanto, mas tão logo seguiu meus passos, sempre tinha à mão um pacotinho de cravos da índia. Volta e meia tirava um cravo do bolso e colocava na boca. Por certo, o gosto forte do codimento neutralizava o desejo de fumar.  

Tínhamos um amigo em comum, médico, fumante compulsivo e dotado de um excelente senso de humor. 

Meu sócio, já bastante empolgado com o próprio sucesso, passou a investir seus argumentos na direção do nosso amigo, tentando trazê-lo para o nosso lado, principalmente pelo fato de ele ser médico. 

Mais do que ninguém ele sabia dos malefícios do tabaco e resolveu adotar o método do cravo. Não sei se com ele a receita funcionou de forma perene. Mas no período de abstinência que se seguiu à sua conversão, testemunhei um comentário feito por ele numa roda de amigos. 

Afirmava, em forma de gozação, que o Cláudio era um excelente amigo, pois o havia ajudado a largar o vício do cigarro, e complementava: 

- É bem verdade que agora estou viciado em cravo...

FRASES ILUSTRADAS


sábado, 19 de setembro de 2020

COITADA DA ESCOLA

COITADA DA ESCOLA

Hélio Schwartsman

Não dá para ficar tergiversando sobre a volta às aulas, só para não desagradar pais e outros grupos

A democracia direta, na qual cidadãos bem informados tomam eles próprios as grandes decisões relativas ao futuro do país, é sedutora como ideal, mas ameaçadora como método. Um vislumbre de por que não funcionaria bem é dado pela novela da retomada das aulas presenciais nas escolas.

Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB), depois de muita indefinição, decidiu que vai mesmo adiar sua decisão, não sem tentar encontrar uma espécie de quadratura do círculo, que permitiria à molecada voltar, já no próximo mês, às atividades extracurriculares, mas não às aulas de matemática.

O que está impedindo gestores locais de fazer escolhas congruentes e tecnicamente abalizadas é o medo de se indispor com o eleitor. Pesquisas de opinião pública revelam que muitos pais ainda temem mandar seus rebentos para as aulas. Às vésperas de eleições municipais, prefeitos dificilmente se colocam contra a opinião majoritária.

Não estou, com essas observações, insinuando que governantes não devam prestar contas aos eleitores. Se fosse isso, inauguraríamos o regime da irresponsabilidade garantida. Meu ponto é que, nas questões que envolvem matéria técnica, cabe aos cidadãos julgar “ex post” a performance do político, mas não interferir em cada etapa do processo decisório.

Fazê-lo equivaleria a substituir a análise do especialista pelo senso comum, lançando-nos num universo bolsonarista, no qual opiniões vulgares prevalecem sobre a literatura técnica. É uma dimensão em que armar a população e retirar os controles de velocidade das estradas se torna desejável e em que a preservação ambiental pode tranquilamente ser descrita como frescura.

Não estou afirmando que a decisão sobre reabrir as escolas seja fácil e não envolva incertezas, mas, até porque uma retomada segura exige planejamento, não dá para ficar tergiversando, só para não desagradar pais e outros grupos influentes.

Fonte: Folha de S. Paulo
A cultura ajuda um povo a lutar com as palavras, em vez de o fazer com as armas. (Glugiermo Ferrero)

LUGARES

SANTUÁRIO DE LOURDES - FRANÇA
Lourdes é uma pequena cidade francesa, com aproximadamente 15.300 habitantes. Tem as mesmas características das outras pequenas cidades do Sudoeste da França. Porém, Lourdes se destaca das demais, por ser um centro de peregrinação mundial. Recebe todos os anos mais de 1 milhão de peregrinos cristãos vindos de mais de 150 países, que permanecem na cidade por alguns dias. Tudo começou em 1858, entre os meses de fevereiro a junho. Nesse período Nossa Senhora, Mãe de Jesus, manifestou-se por 18 vezes a Bernardet Soubirous na Gruta de Massabielle, nos arredores de Loudes, na França. Declarando-se ser a Imaculada Conceição, aquela que vem socorrer todos os que se encontram com o coração atribulado por sofrimentos físicos e morais. Em todas aparições, trouxe ao mundo um apelo de conversão mediante a oração e a penitência. Foi a partir das aparições que as peregrinações começaram e continuam até hoje e cada vez mais intensa, em busca de ajuda e de renovação interior, pelos peregrinos cristãos. Lourdes é a segunda cidade da França em número de hotéis contando com cerca de 270 estabelecimentos. (Cfe. meucaminho.com)